A Galeria Errol Flynn apresenta a exposição histórica Antônio Poteiro: 100 anos, com curadoria de Errol Flynn Jr., reunindo mais de 60 obras entre pinturas e cerâmicas que celebram o centenário de nascimento de um dos nomes mais singulares da arte brasileira. Com trabalhos provenientes em sua maioria do acervo da galeria, complementadas por empréstimos de coleções privadas, a mostra concentra-se na produção das décadas de 1970, 1980 e 1990 — período em que Poteiro atingiu plena maturidade plástica e conceitual.
Nascido em Portugal em 1925 e radicado ainda criança no Brasil, Antônio Poteiro (1925–2010) construiu sua trajetória entre Minas Gerais e Goiás, territórios que marcaram profundamente sua linguagem visual. Em Minas, viveu seus primeiros contatos com o imaginário popular e o ofício ceramista; em Goiás, encontrou o solo simbólico onde sua arte floresceu, integrando religiosidade, vida cotidiana e mitos rurais.

Segundo Marcus de Lontra Costa, “Poteiro é um artista que brota da terra — sua obra é feita de barro, cor e memória. Em suas cerâmicas e pinturas, o gesto do fazer se transforma em linguagem, num diálogo entre o sagrado e o humano que transcende fronteiras geográficas ou estilísticas.”
“A motivação desta mostra é a junção entre o reconhecimento que eu e o Junior, meu irmão, temos pela poderosa e encantadora simplicidade da obra de Poteiro, e o reconhecimento de grande parte do mercado e da crítica desde seu surgimento na arte brasileira, por influência da folclorista Regina Lacerda e do artista Siron Franco.” — Leonardo Reis, diretor da Errol Flynn Galeria de Arte
Entre as pinturas expostas, Ceia do Coronel (1976, óleo sobre tela, 73 x 92 cm) revela a dimensão social e simbólica da obra de Poteiro. A cena — ao mesmo tempo festiva e crítica — transforma o banquete em uma alegoria da desigualdade e da hierarquia, em que o sagrado é reelaborado à luz do cotidiano sertanejo.
Em Homem e a Tartaruga (1979, óleo sobre aglomerado, 46 x 52 cm), o artista transfigura o mito em fábula. O homem e o animal, figuras de tempos distintos, parecem partilhar a mesma paciência e destino, como se o ritmo do mundo dependesse da lentidão da terra.
Já em O Mundo (1982, óleo sobre tela, 70 x 60 cm), Poteiro cria uma cosmogonia própria. O planeta surge não como globo científico, mas como corpo pulsante — território de mistérios e crenças, habitado por seres que flutuam entre o humano e o divino.
A cerâmica Pote Ciranda (1976, cerâmica pintada, 49 x 28 cm) dá forma tridimensional a essa cosmologia. A roda de figuras que se entrelaçam remete aos ciclos da vida e à dança do tempo. É uma escultura que respira – viva, porosa, feita de gestos e vozes da terra.
Serviço:
Exposição: Antônio Poteiro: 100 anos
Curadoria: Errol Flynn Jr.
Textos críticos: Marcus de Lontra Costa, Denise Mattar e Olívio Tavares de Araújo
Visitação: Até 26 de janeiro de 2026
Horários: Segunda a sexta-feira, das 9h às 18h | Sábados, das 10h às 13h
Local: Galeria Errol Flynn – Rua Curitiba, 1862, Lourdes, Belo Horizonte
Entrada gratuita
Entrevista Antônio Poteiro: Link
errol.com.br/
